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Problema 01Defensibilidade

Não consegue mostrar em que se baseou uma decisão.

A decisão pode ter sido sólida. O registo já não mostra porquê.

As decisões sobre remuneração, enquadramento e relações laborais são tomadas todas as semanas por pessoas de boa-fé, com a informação que têm à frente. Meses ou anos depois, alguém pergunta porquê. A essa altura o raciocínio vive numa caixa de correio, os números numa folha cujo autor já saiu, e nada registou quem decidiu o quê, quando, nem com que fundamento. Uma contestação torna-se uma reconstrução em vez de uma consulta, e os líderes começam a duvidar de que o seu juízo resista a ser questionado.

Como se manifesta

Por dentro, é assim que se vê

Reconstruir, não recuperar

Responder a uma única questão significa correr atrás de três pessoas, duas caixas de correio e um ficheiro cujo responsável já saiu. A resposta é montada, não consultada.

Sem data e sem atribuição

Os números existem, mas nada registou quando foram produzidos nem por quem. Numa audiência, uma prova que ninguém consegue datar tem peso quase nulo.

Versões que não coincidem

Duas equipas mantêm dois números para a mesma população e nenhuma consegue dizer em qual a decisão se baseou de facto.

O rasto adelgaça com o tempo

Quanto mais atrás se olha, menos existe - e é precisamente nessa direção que o escrutínio avança.

Quanto custa

Quanto lhe custa

Não são multas. É algo mais silencioso e mais caro.

Semanas do seu tempo mais sénior

Preparar uma única resposta ocupa exatamente as pessoas que menos quer afastar do trabalho do dia a dia, e por mais tempo do que alguém previu.

Acordos de que não precisava

Os casos são transigidos não porque a decisão estivesse errada, mas porque demonstrar que estava certa já não é possível.

Chefias que deixam de decidir

Quando não se pode confiar no registo, o seguro é remeter a decisão para cima. O bom critério fica sem uso porque não pode ser evidenciado.

O teste

Perguntas a que hoje devia conseguir responder

Se alguma destas levar mais do que um instante, a exposição não é teórica.

  • Quem aprovou este enquadramento, quando e segundo que critérios?
  • Como estava a nossa distribuição salarial no dia em que essa decisão foi tomada?
  • Que versão da política estava em vigor nessa altura?
  • Conseguiríamos apresentar tudo numa forma que um tribunal aceitasse?
  • Quanto tempo levaríamos a descobri-lo?

Uma decisão pode ser sólida e tornar-se indefensável quando já não é possível mostrar em que se baseou.

O Vero foi construído precisamente para este.
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